Cara Gente Branca – II

Ainda nessa onda de “Cara Gente Branca”, tenho algumas críticas à série. Como dito no post anterior, na universidade em que se passa a série, um grupo de alunos lutam contra o racismo, inclusive uma das participantes do grupo, a Sam, tem um programa na rádio da universidade. O nome do programa é exatamente “Cara gente Branca”, e lá ela sempre começa a falar com “Cara gente branca” e continua com algo do tipo “não é certo se vestir de negro pra uma festa de halloween”.

Minha primeira crítica é exatamente em relação à isso. Ela fala “cara gente branca”, como se todos brancos fizessem isso, como se todos brancos fossem racistas. O nome me soa meio errado, porque mesmo que a maioria do racismo venha de pessoas brancas, não são todas pessoas brancas que são racistas, e outras vezes o racismo parte do próprio negro.

Outra crítica, e não tanto em relação só à série, é que em um dos episódios um estudante negro pede a seu amigo branco que não fale a palavra “nigga”. Nigga é uma palavra em inglês que pode ser um sinônimo de “preto”, mas devido às origens da palavra e como foi usada no passado, para denominar escravos, a maioria dos negros nos EUA não gostam que brancos usem a palavra.

Na série, a cena se passa em uma festa, onde os alunos estão se divertindo dançando. Na letra da música que está tocando tem a palavra “nigga”, e é aí que o negro pede seu amigo branco que não fale a palavra, mesmo fazendo parte da letra. E aí uma discussão começa, pois o amigo branco não acha certo ele se censurar, e não falar palavras porque é branco, o que pra mim faz todo sentido. Da mesma forma, Sam, uma das personagens principais, também negra, tem um namorado branco. Em um dos episódios ela diz para seu namorado que ela vai chamar ele de nigga várias vezes mas que ele não pode dizer o mesmo pra ela.

Não acho certo dizer que alguém não pode falar uma palavra baseado em sua cor de pele, isso também é racismo. E eu não concordo com essa “regra” (não poder falar nigga por que é branco) simplesmente porque hoje a palavra não tem o significado que tinha antes, tanto é que os próprios negros se chamam dessa forma.

Podemos fazer uma comparação com a realidade no nosso país. Enquanto nos EUA a palavra “proibida” é nigga, no Brasil a maioria acha que é racismo dizer que alguém é preto. Mas como que um simples fato, uma característica da pessoa, pode virar racismo? Acho que em todo caso não se deve generalizar, ou dizer que sempre que alguém chamar alguém de preto será racismo. É sempre bom usar o bom senso, e julgar pela situação, pela entonação, pra saber o que realmente a pessoa quis dizer com “preto”. Nem sempre alguém dirá preto de forma racista, algumas pessoas usam a palavra simplesmente pra dizer a cor da pele da pessoa. Da mesma forma que negros chama pessoas brancas de “branco”, alguns sim com racismo e outros não.

Mas essa questão de não poder dizer preto, é justamente porque ainda hoje há pessoas racistas e que tornam a palavra uma ofensa, o que não é. Dizer que alguém é preto, se realmente o for, é simplesmente um fato real, uma característica física de uma pessoa, e que não diz quase nada sobre ela – no máximo diz sobre sua cultura.

Na minha opinião, o real problema não está nas palavras, mas sim nos racistas espalhados pelo mundo. Se não existissem, “preto” seria apenas mais uma palavra, assim como “branco”, ou “amarelo”, que apenas define a cor da pele da pessoa.

Por fim, muito há ainda a se discutir sobre o tema. E este é um dever não só de negros, mas de todos, independente da cor. E fica aqui uma imagem pra celebrar as diferenças, que são o que fazem esse mundo lindo e colorido.

igualdade

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