Dia chuvoso

Acordou com o alarme. Imediatamente pegou o celular para desligar o despertador, porque afinal, quem é que gosta de ouvir aquele barulho por muito tempo?! E fez quase de olhos fechados, a luz no ambiente não permitia que abrisse os olhos completamente. Esfregou os olhos, bocejou. Tentava entender agora de onde vinha aquela luz forte e que parecia que lhe tocava diretamente o rosto, como se estivesse logo acima dela. Com muita dificuldade abriu os olhos totalmente, mas foi cegada novamente pela luz que parecia um sol de tão forte. Talvez sua mãe tivesse ido até seu quarto lhe acordar e abriu as cortinas. Chegou a chamar por ela. Mas ninguém respondeu.

Como havia aquela luz forte logo acima do seu rosto, virou-se de lado, apoiando os cotovelos no colchão, e ao fazê-lo sentiu sua cama se mexer um pouco. Talvez tivesse tido uma tontura por um segundo. À medida que abria os olhos via-se em sua cama normalmente. Mas algo estava diferente. Seu quarto parecia bem maior do que normalmente era, tanto que nem via as paredes próximas à ela. Ao contrário, nem mesmo via paredes. Provavelmente todo mundo já teve aquela sensação de acordar sem saber onde está e procurar coisas ao redor para identificar o local. Acontece muito quando se dorme na casa de amigas, ou hotel, por exemplo. É esta sensação que ela tinha agora.

De repente, sentiu a água lhe tocando os dedos. Quando finalmente abriu os olhos, viu-se flutuando na água em um colchão inflável. Aquela luz forte, realmente era o sol, e as paredes não existiam pois estava à céu aberto, em uma piscina. Nem se lembrava que estava ali. Na verdade nem mesmo conhecia o lugar.

Mas não se preocupou com isso. Apenas pensava em uma maneira de sair de lá e chegar a tempo na sua apresentação de balé. Primeiro deu uma olhada ao seu redor, para ver se conhecia o lugar onde estava. Via à sua frente a piscina. Mais a direita, bem longe uma floresta com árvores de folhas verdes, e apesar de estar de dia com um sol bem forte essa parte estava escura e com um nevoeiro denso. Atrás dela, havia também uma floresta, mas um pouco diferente. As árvores ali não tinham folhas, todas caíram e estavam logo ali no chão. Por trás das árvores, bem distante havia várias montanhas com o topo branquinho de neve. E ali o sol brilhava bem forte. Em frente a piscina havia uma casa bem grande, com estilo rústico, feita de madeira, com grandes janelas de vidro, mas todas cobertas com cortinas.

Seu primeiro pensamento foi ir até a casa pedir ajuda. Mas já que estava com o celular na mão, resolveu olhar as horas e ligar pra sua mãe. Eram duas e vinte da tarde. E o celular estava sem sinal. Resolveu então ir até a casa pedir ajuda. Tocou a campainha, ninguém atendeu. Mas entrou mesmo assim. A porta estava aberta.

A casa parecia ainda maior por dentro, cheia de móveis de madeira, lustres enormes com luzes amareladas. Foi logo em direção à sala de estar. Talvez lá tivesse um telefone que pudesse usar. Mas ao entrar na sala, viu alguém sentado em uma das poltronas dispostas ali no cômodo. Era um garoto, provavelmente da mesma idade. Estava de costas, lendo, então não sabia quem era, e nem mesmo ele a viu entrar.
_ Olá. – disse ela chamando atenção do garoto
_ Oi Alice. – respondeu ele
_ Ah, oi Pedro – era um garoto da escola – me desculpe entrar assim. Eu estou perdida e preciso ligar pra minha mãe. Eu toquei a campainha, mas ninguém atendeu…eu achei que a casa estivesse vazia.
_ Tudo bem, não tem problema.
_ Eu não sabia que morava aqui.
_ Não moro. Estou apenas de visita. Ei, não está quase na hora da sua apresentação de balé?
_ Sim.
– estava surpresa por ele saber de sua apresentação, provavelmente tenha ouvido de uma de suas amigas, pensou. – Mas eu não sei onde estou e nem como chegar lá.
_ Bom…eu posso te ajudar a chegar lá. Eu já ia pra assistir mesmo.
_ Vamos então.
– apressou Alice.
E os dois saíram dali, mas não pela porta por onde ela entrou, e sim por uma porta dos fundos. Ou da frente. Alice estava confusa.

Saindo pela porta logo ali na frente havia uma rua de asfalto, com várias casas e comércios, várias pessoas passavam pela rua. O dia estava ensolarado. Mas de repente começou a chover. E por sorte Pedro carregava um guarda-chuva.
_ Até parece que você adivinhou que iria chover.
Pedro olhou para Alice e sorriu enquanto abria o guarda-chuva.

Os dois agora ficaram bem próximos debaixo do guarda-chuva. Se olhassem um para o outro, ficariam nariz a nariz. Pedro teve até que colocar o braço em volta de Alice para que os dois coubessem ali. E o fez educadamente. Ela não se importou. Na verdade até se sentiu…protegida. De repente, escutou a voz de sua mãe lhe chamar. Parecia vir do outro lado da rua.

Abriu os olhos, e ouviu sua mãe lhe chamar mais uma vez para o café da manhã. A chuva batia na janela do seu quarto. O dia havia apenas começado.

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